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21/07/2016
Como o ciclo menstrual afeta o rendimento?





Entenda porque o seu desempenho nos treinos varia de acordo com as fases do ciclo menstrual.

Cada mulher tem um ciclo menstrual diferente. Existem aquelas que têm mais TPM, as que sofrem mais com as cólicas, aquelas que possuem um ciclo completamente desregulado e também as sortudas, que sentem pouco os efeitos das mudanças hormonais. Apesar das diferenças, existe um desconforto em comum entre a maioria das mulheres que pratica atividade física: a queda de rendimento em algumas fases do ciclo.

Ao longo do mês, ocorrem alterações nos níveis de progesterona e estrogêneo no organismo feminino, causando mudanças fisiológicas que afetam tanto para o bem quanto para o mal a performance da atleta. Por isso, é fundamental que a mulher entenda como funciona o seu ciclo para conseguir fazer um melhor planejamento dos treinos e, dessa forma, tirar proveito ou driblar os efeitos negativos de cada um dos períodos.

FASES DO CICLO

O ciclo menstrual tem duração de aproximadamente 28 dias, podendo variar de 21 a 35 dias, e é dividido em três fases:

- Folicular: também chamada de fase estrogênica ou proliferativa. Ela ocorre antes da ovulação, tem duração de 1 a 14 dias e pode ser dividida nos períodos menstrual e pós-menstrual.

Durante a menstruação, que dura em média cinco dias, o organismo começa a produzir o estrogênio, hormônio responsável pelo controle da ovulação e preparo do útero para a reprodução, e também por regular o comportamento feminino. Nesta fase, o desempenho no asfalto costuma ser fraco, principalmente para aquelas que sofrem com um fluxo menstrual intenso e fortes cólicas. A dica é apostar em treinos de leve a média intensidade, dependendo da disposição da atleta.

Os dias restantes são marcados pelo período pós-menstrual, caracterizado por um aumento da produção de estrógeno e da liberação da noradrenalina. É neste momento que as atletas costumam ter seu melhor desempenho, pois é quando percebe-se uma melhora da resistência aeróbica e também da força.

- Ovulatória: costuma ocorrer de 11 a 16 dias antes da menstruação seguinte e, como o nome já indica, é quando acontece a ovulação, ou seja, quando a mulher está no período fértil. Há uma acentuada queda do estrogêneo e um aumento da progesterona, ocasionando uma inversão das concentrações dos hormônios. O desempenho sofre uma ligeira queda, mas mantém-se a um nível bom.

- Lútea: chamada também de secretora ou progestacional, ocorre por volta do 14º ao 28º dia, terminando com o início da menstruação. A produção de estrogêneo volta a subir no 16º dia, mas sem chegar ao mesmo nível da fase pós-menstrual. É nesta fase que se tem a maior concentração de progesterona, um dos principais hormônios da gestação, responsável por sustentar o endométrio até o final da gravidez.

Se o óvulo não for fecundado, ocorre uma queda das concentrações dos hormônios, dando início ao período pré-menstrual. É nesta fase que se tem o pior desempenho, pois aumenta-se a fadiga e surgem os temidos sintomas da TPM, como irritabilidade, dor de cabeça, retenção de líquidos, dores nos seios, entre outros. Apesar de ser um momento não muito favorável, é importante que a atleta mantenha a rotina de treinos, já que a prática de exercícios aumenta o nível de noradrenalina, serotonina e dopamina, responsáveis por dar mais disposição e causar sensações de prazer e bem-estar.

Na imagem abaixo é possível ver essas alterações dos hormônios nas diferentes fases do ciclo menstrual, assim como o desempenho em cada uma delas.

ciclo menstrual e o desempenho na corrida

Esporte x gravidez
Desde que feita com a liberação do médico e sob acompanhamento, a atividade física durante a gestação pode trazer diversos benefícios para a saúde da mãe e do bebê. Muitas mulheres relatam, inclusive, que tiveram o melhor desempenho da vida delas como corredoras no início da gravidez. Isso ocorre por causa do aumento da Gonadotrofina Coriônica, um hormônio anabólico que aumenta o metabolismo.

(Fonte: Maita Poli de Araújo, Professora da Faculdade de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, Diretora da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva, Chefe do Setor de Ginecologia do Esporte da UNIFESP e Médica do Check Up Fleury)

Matéria publicada no site da O2 Por Minuto.


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